Mais um dia que foi noite
E mais um dia,
Mais uma noite que o dia passou
Um açoite
Daqueles que a vida nos dá
Bebi curti e desvairei mas sei
Que a noite que desvairei eras tu
Minha medusa de olhos vendados
Que Me aclarei-a a alma
E que a sua voz calma
faz apaziguar todos os meus pecados
Que cometie tento continuar a alcançar
até chamar de casa lar
Até poder dizer tu és minha e eu sou teu
Até fazer das tripas o ar que respiro e que te faz respirar
Mas sei que esse lar que procuro não existe
Mas minha alma persiste
E logo insiste
Para que continue a ser eu
E logo teu
Que continue
A viver a vida que nos rodeia e continuar a existir e a ser eu
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Sentir Português

Português educado
Suspeito
Português bem-falante
Um mentiroso
Que agride burocraticamente com palavras pomposas em terreno argiloso
Foi se o bom senso e a honra outrora regras de bom cidadão
Em troca de espertezas e heresia
De um vilão
Foram se os tempos foram se as vontades
E todas as verdades que outrora fariam de um cidadão exemplar
Nada mais a nós nos resta que disso fugir ou repugnar
Foram se os inteligentes pelos espertos
As minas pelos desertos
E os despojos insensatos, agora trocados por fatos
Passam por nós povo vil
Como de sapatos velhos se tratassem
A caminho de uma repugna reforma
Que nem as solas nos paga
Fora embora a virtude e a inocência
Viva a santa indecência
De se servir de toda a gente
E vangloriar os seus actos
Fazendo de gatos sapatos
Pois até o mais corrupto é herói até ser apanhado
Pois é este o nosso fado
Não o que Amália gritava a sete ventos
Mas o que Camões em tormentos
Sofreu para se sentir alguém
Esses homens de nobres actos
Que nem sapatos usavam
E que os pés esquartejavam
Sem perder a honradez
Nobres actos nobres virtudes
Destinos amordaçados
Corações estrangulados pela vontade
De bater
Tudo o que nos rodeia é triste
É triste viver num mundo cruel
Este em que vivemos
Ou melhor dizendo sobrevivemos
Ou tentamos ...
Noites sombrias
Procuro
Procuro e não encontro
Tentando encontrar
Aquilo que procuro
Sei bem não vou achar
Sei bem o que procuro
Mas não sei para onde foi
Nem sei eu bem se existe
Dói me tudo-nada dói
Tentando encontrar
Aquilo que procuro
Sei bem não vou achar
Sei bem o que procuro
Mas não sei para onde foi
Nem sei eu bem se existe
Dói me tudo-nada dói
Dias que passam

Dias perdidos horas contadas
Ilhas perdidas no meio do nada
Esperando um dia ser habitadas
Corações vividos despedaçados
Cartas de amor
E outros fados
Singelos cristalinos
Respirar amanhecer
Vivo a cada minutoo que a vida tem a tecer
Vivo escondido de mim
Tenho vontade de viver
Viver a vida num sonho
Que não o sei compreender
Vivo do tudo, do nada
Bebo vinho da vida incrustada
E tento perdido encontrar-me
Na encruzilhada
Estarei vivoS
erá isto viver
Porquê de tantos porquês
Viver a vida é sofrer?
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